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Ivisson Cardoso (Meu Caro Vinho)

De Salvador - Bahia, o crítico e pesquisador musical, Ivisson Cardoso, mais conhecido como "Meu Caro Vinho" debutou como DJ na noite paulista em Abril de 2015 na festa "Liquidifique-se" sediada na boate Aloka: "Eu não tinha experiência alguma com mixers, mas, confiaram na minha pesquisa de repertório. Aceitei o convite e desde então não parei mais". Tendo como forte o apreço pela música brasileira, possui uma coluna chamada "Nossa Senhora do Comeback" no blog "Os Entendidos"/Revista Fórum onde revisita álbuns que julga serem essenciais. Já atuou como convidado das rádios "BSD" em Jundiaí, "New Black SP" em Franco da Rocha e recentemente na EP TV Musical em São Paulo com o projeto "O Axé antes do Axé" sobre a música baiana, rodando discos do seu acervo que vai desde o som formatado pela dupla Lincoln Olivetti e Robson Jorge na década de 80 à música americana 

Contatos: Facebook, Instagram e Twitter: @meucarovinho

1° Djavan - Luz (Discos CBS/1982): Já desfrutando do imenso prestígio de ter composições suas gravadas por Roberto Carlos "As Ilhas", Maria Bethânia "Álibi" e Gal Costa, "Açaí", era a hora do alagoano ter tratamento digno de um superstar em uma major. Migra da EMI-Odeon para a CBS. Gravado em Los Angeles com produção de Ronnie Foster, "Luz" tem toque internacional com arranjos mais jazzísticos e marca uma era de deslanche nacional. Passou a vender mais discos e ter maior visibilidade da mídia e de lambuja, conseguiu participação de Stevie Wonder tocando gaita em "Samurai", com direito, é claro, a vídeo-clipe no Fantástico e o especial "Um Facho de Luz", ambos da TV Globo.

 

2° Baby Consuelo - Cósmica (Warner Music/1982): E quem iria imaginar que seus cabelos coloridos virariam marca registrada e teria o público infantil aos seus pés desde que participou do especial "Pirlimpimpim" na Rede Globo interpretando a espevitada boneca "Emília"? Com Cósmica, além de arrebanhar crianças, aprendeu a língua do pop aliando rock e muita atitude em hits radiofônicos como "Seus Olhos". Deu tempo de convocar os Tincoãs em "Aganju" e saudar Elza Soares na carnavalesca "Pra Haver Amor Entre Os Homens". Ah, João Donato comparece como parceiro de composição em "Um Arco-Íris Na Tarde".

 

3° Clara Nunes - Esperança (EMI-Odeon/1979):  "Mas um dia hei de ver o meu povo feliz a cantar"... Este belo samba de Candeia e Jaime Santos ilustra bem a idéia da capa do 13° álbum da mineira que cada vez mais aliava o seu canto pelo descontentamento popular frente às diferenças sociais, mas, mantendo bom ânimo. Tempo bom em que o forró era incluído em seu repertório sem que houvesse uma obrigatoriedade de fazê-lo de maneira oportuna para os festejos juninos. É daqui o clássico "Feira de Mangaio" de Glorinha Gadelha e Sivuca, assim como "Banho de Manjericão" de Paulo Cesar Pinheiro e João Nogueira

 

4° Don Beto - Nossa Imaginação (Somlivre/1978):  Sua história antes da gravação deste álbum é um tanto obscura, mas o que se sabe é que este uruguaio radicado no Brasil fez parte da banda de apoio de Raul Seixas e mais tarde, preferiu seguir a linha do movimento black gravando um disco com linguagem soul tendo Lincoln Olivetti como arranjador. O resultado não poderia ser melhor e daqui saíram 3 hits que foram parar em trilhas de novela da Rede Globo: "Pensando Nela" (Dona Xepa), "Amor Informal" (O Pulo do Gato) e "Renascendo em Mim" (Coquetel de Amor).

 

5° Zezé Motta (Warner Music/1978): Zezé Motta havia acabado de gravar o filme Xica da Silva, dirigido por Carlos Diegues em 1976 e estava um tanto insatisfeita sobre os novos convites que surgiram para atuar em novas montagens. Até então, ela aceitava o que pintava pela sobrevivência. Após toda a repercussão gerada com a personagem da trama que lhe deu maior status, passou a questionar seu papel enquanto atriz. Foi quando em busca da coerência frente à suas decisões artísticas que Zezé decidiu voltar à música, já que na música, haveria liberdade de escolha, fazer o que estava com vontade. Em 1975, o disco gravado a duo com Gerson Conrad na Somlivre não aconteceu, por uma série de desentendimentos do ex Secos & Molhados com a gravadora, suspendendo qualquer divulgação sobre o LP. Zezé começou a dizer em uma série de entrevistas sobre o desejo de cantar e gravar um disco solo. O empresário e produtor Guilherme Araújo se interessou e lhe deu o apoio necessário para viabilizar sua contratação na Warner Music. O disco de estréia, produzido por Liminha foi lançado em 1978. Os sucessos: "Muito Prazer, Zezé", escrita por Rita Lee e Roberto de Carvalho, a partir de leituras de jornais sobre sua persona, "Magrelinha" de Luiz Melodia, "Rita Baiana" (John Neschling / Geraldo Carneiro) que ganhou vídeo-clipe para o Fantástico. "Babá Alapalá" de Gilberto Gil foi parar na trilha sonora da novela global "O Pulo do Gato". Mas o melhor era assistir a abertura da série "Ciranda Cirandinha", dirigida por Daniel Filho. com Lucélia Santos, Jorge Fernando, Denise Bandeira e o cantor Fábio Junior no elenco principal. Zezé Motta surgia toda dramática, cantando de forma visceral  "Postal de Amor" de Raimundo Fagner, Fausto Nilo e Ricardo Bezerra. O disco foi bem acolhido pela crítica, apesar de não atingir as expectativas de vendas na gravadora

6° Leo Gandelman - Solar (Polygram/1990):   Para quem nunca ouviu falar de Leo Gandelman, repare que as principais baladas gravadas nos anos 80 com os artistas da RCA (Roupa Nova, Alcione, Joanna, Gal Costa, José Augusto, Maria Bethânia, Prêntice, Patricia Marx) e até os da CBS (Simone, Roberto Carlos) e.. Elis Regina. Lembram do solo de sax do Leo em "Corsário"? Todos tiveram suas músicas com seus solos de sax alto. "Solar" foi o disco que definitivamente o tirou do posto de músico de estúdio para ser solista em linha de frente. O disco tem participação da Gal Costa e do grupo percussivo Raízes do Pelô na faixa "Hip Hop de Candeal", escrita a duo com Carlinhos Brown. 

 

7° Edson Gomes - Reggae Resistência (EMI-Odeon/1988): Edson Gomes venceu em 2° lugar o extinto festival "Canta Bahia" em 1984 com a música "Rastafári" gravada por Sarajane no disco "História do Brasil"  fazendo um som que desperta reflexões sobre as mazelas do estado e que traz consigo dívidas históricas com o povo negro, com mensagens bem politizadas. Acompanhado pela banda Cão de Raça, o disco tem sucessos como "Sistema do Vampiro", "Malandrinha" e "Samarina". 

 

8° Pepeu Gomes - Na Terra A Mais de Mil: A convite do produtor Andre Midani, Pepeu Gomes troca a CBS pela Warner Music onde grava o álbum "Na Terra A Mais de Mil" (1979) produzido por Guti Carvalho, seu segundo disco solo. O álbum anterior, "Geração de Som" focava mais o seu lado "músico", executando faixas em instrumental, obtendo repercussão por "Malacaxêta". Pela primeira vez, Pepeu foi visto como cantor popular devido a "Meu Coração", composta em parceria com o Gilberto Gil. Pepeu conta que esta música fora escrita dentro de um carro, enquanto dava uma carona para o ex-ministro até o aeroporto às pressas. A letra dócil, remete à pressa da chegada de um novo amor e a maturidade alcançada pela experiência anterior, sem repetir os erros do passado: "Vai chegar melhor que antes". O decorrer disco segue com a versatilidade de sua guitarra e a mistura de ritmos como o rock, o xote, o baião e o samba. Pepeu chega a brincar sobre o tema em "Dizem Por Aí": É que o samba foi feito pra mim/Mas não fui feito só pro samba. "Forró do Ano 2000" tem forte relação com Luiz Gonzaga e há uma alusão à música "Baião" gravada originalmente em 1949. Composta em parceria com a Baby do Brasil, a música seria inclusa no disco "Pra Enlouquecer". Pepeu ficou responsável pela interpretação eletrizante e cheia de gás acompanhado do acordeom de Oswaldinho. "Guitarra Cigana" é a declaração de amor mais sincera já feita para simbolizar o relacionamento de um músico com o seu instrumento, encontrando nela sua cruz, sua espada, abrigo e consolo: "A rua foi a minha escola/meu mestre a intuição/Guitarra sola e me consola/Me alegra o coração". Caetano Veloso também colaborou pondo letra em Malacaxêta. A releitura ganhou novos ares e uma pegada mais agressiva do que a feita em 1978. Foi na companhia Warner que Pepeu despontou em sua carreira solo, se transformando em um ícone do rock brasileiro.

 

9° - Daniela Mercury - O Canto da Cidade (Sony Music/1992) Após gravar “Swing da Cor” de Luciano Gomes (autor de “Faraó”) em seu primeiro LP solo, Daniela já tinha referências suficientes para melhorar seu produto e refinar seu repertório. O sucesso do seu show no vão do Masp em São Paulo lhe abriu as portas para que se unisse ao produtor Liminha, habituado a trabalhar com artistas como Lulu Santos e Marina Lima, para tornar a sonoridade do “Canto” radiofônica, não apenas ao público baiano, mas a um público também elitizado. Diluindo o samba-reggae com uma sonoridade pop-rock e trazendo um repertório eclético tal qual Marisa Monte, Daniela virou um ídolo como há muito tempo não se via na cena da música baiana. O disco tem cara de greatest hits, já que praticamente todas as faixas foram executadas amplamente nas rádios com direito a um especial televisivo na Rede Globo, como era antigamente feito com sua conterrânea, Simone. O disco vendeu 1 milhão e 250 mil cópias e abriu portas para novas vocalistas que vieram na sequência como Simone Moreno, Ivete Sangalo e Cláudia Leitte. Não foi à toa que além de se tornar embaixadora da Unicef, Daniela recebeu a coroa de Rainha do Axé.

 

10° - Elis Regina: Saudade do Brasil (Warner/1980)  O disco para a época serviu para trazer de volta uma conscientização sobre os problemas do país, assim como resgatar um tempo em que havia mais esperança. Tempo este que faz jus ao título do disco. Por vezes exigindo seus direitos, ora chutando o pau da barraca, cansado de se ver tanta coisa errada (Acho que agora tá) ora repondo seu lugar no espaço, significando nossa existência (somos a semente/ato/mente e voz) ora fazendo deboche contando pra um habitante extra-terrestre a situação crítica em que nos encontramos, só vivendo de aparências em "Alô Alô Marciano" de Rita Lee e Roberto de Carvalho. O que resta para os filhos que ficam, já que não houve deleite e nem benefício de seus genitores? A letra de "Aos Nossos Filhos", de Ivan Lins e Vítor Martins faz o pedido final: Quando colherem os frutos/Digam o gosto pra mim.

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